Um dos principais procedimentos técnicos aplicados em Sgt. Pepper por Martin e Emerick para moldar o som da gravação foi o processamento de sinal, que incluiu a aplicação de compressão dinâmica, reverberação e de limitação de sinal. Foram usadas unidades modulares de efeito relativamente novas, como ao produzir sons de vozes e instrumentos por meio de um auto-falante Leslie. Várias técnicas inovadoras de produção foram utilizadas proeminentemente nas gravações, incluindo conexão direta, ambiophonics e pitch control, este último associado ao varispeeding. Outra importante aplicação foi o automatic double tracking (ADT), um sistema que usa gravadores de fita para criar duplicações sonoras simultâneas. Embora na época já existisse largo reconhecimento de que o uso de fitas multi-faixa para gravação de vocais principais duplos produzia som aprimorado, antes do ADT era necessário gravar tais faixas vocais duas vezes, uma tarefa considerada entediante e de grande exigência. O ADT foi inventado por Townsend durante as sessões de Revolver, em 1966, especialmente para os Beatles. O processo tão logo se transformou em prática de gravação comum na música popular. Martin divertidamente relatava: "Isso duplica sua voz, John. "Lennon percebeu que Martin estava brincando, mas, desse momento em diante, ele passou a se referir ao efeito como flanging, um rótulo que foi universalmente adotado pela indústria da música. Martin cita "Lucy in the Sky with Diamonds" como tendo o maior número de variações de velocidade de fita em Sgt. Pepper. Durante a gravação dos vocais de John, a redução de velocidade ia de 50 ciclos para 45, o que produzia uma faixa de som mais alto e fino quando retornada à velocidade normal.
“ Ouvindo cada fase de gravação deles, uma vez que terminaram as primeiras faixas, é difícil ver o que eles ainda estão almejando. (…) Frequentemente, a versão final, complexa, cheia de camadas, parece ter afogado a melodia simples inicial. Mas eles sabem que não é certo, mesmo que não possam colocar isso em palavras. A dedicação deles é gigantesca, minando, por períodos de dez horas, cada canção.”
No intento de obter a sonoridade correta, os Beatles realizaram numerosas regravações de "Getting Better". Quando a decisão de realizar tal procedimento com a faixa de base foi então tomada, Starr foi convocado ao estúdio, mas foi dispensado logo em seguida, quando o foco mudou do ritmo para o acompanhamento vocal. O baterista, após completar as gravações básicas de seu instrumento, viu sua contribuição ser limitada a trechos adicionais menores de percussão e lamentou: "A maior memória que eu tenho de Sgt. Pepper... é que eu aprendi a jogar xadrez. "Para a música título,"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", a gravação do conjunto de bateria de Starr foi aprimorada pelo uso de damping e da prática de posicionar os microfones estrategicamente próximos ao instrumento. O musicólogo Ian MacDonald credita a nova prática de gravação como criadora de um som "tridimensional", que, junta a outras inovações dos Beatles, engenheiros de som dos Estados Unidos viriam a adotar como procedimento padrão. McCartney tocou um piano de cauda em "A Day in the Life" e um órgão Lowrey em "Lucy in the Sky with Diamonds", enquanto Martin tocou um pianet Hohner em "Getting Better", um cravo em "Fixing a Hole" e um harmônio em "Being for the Benefit of Mr. Kite!". Harrison usou um tanbūr em várias músicas, incluindo "Lucy in the Sky with Diamonds" e "Getting Better".
A prensagem britânica de Sgt. Pepper foi a primeira ocasião na qual um álbum pop foi masterizado sem os intervalos que normalmente são colocados entre as faixas como ponto de demarcação. Foi feito uso de dois crossfades que combinaram as faixas, dando a impressão de contínua performance ao vivo. Embora tivessem sido produzidas versões de mixagem do disco tanto em estéreo quanto em mono, os Beatles estiveram envolvidos de forma mínima na tarefa, que eles consideravam a menos importante das sessões de mixagem, deixando-a a cargo de Martin e Emerick. Emerick relembra: "Nós passamos três semanas nas mixagens mono e talvez três dias nas estéreo. "Ele estima que foram gastas setecentas horas no LP, tempo trinta vezes maior que o gasto no primeiro disco dos Beatles, Please Please Me, que custou £400 para ser produzido à época. O custo final de Sgt. Pepper foi então de aproximadamente £25,000. Os trabalhos foram finalizados em 21 de abril de 1967, com a gravação de ruídos aleatórios, como um som em uma frequência audível apenas por cães que foi incluído no groove de término.
Música e letra
Sgt. Pepper é um trabalho multi-gênero de rock e pop. Incorpora diversidade estilística de influências advindas do rock and roll, vaudeville, big band, jazz piano, blues, música de câmara, música circense, music hall, Avant-garde, Música clássica ocidental e música clássica indiana. De acordo com o autor Naphtali Wagner, sua música reconcilia os "ideais estéticos diametralmente opostos" da música clássica e da psicodelia, angariando uma "síntese 'psicoclássica'" das duas formas musicais.
A preocupação acerca de referências ao uso recreativo de drogas em algumas das letras levou a BBC a banir várias canções das rádios britânicas, como "A Day in the Life", em decorrência do verso "I'd love to turn you on", com a alegação de que trechos como esse poderiam "encorajar atitude permissiva em favor do uso de drogas. "Embora Lennon e McCartney negassem qualquer interpretação relacionada a drogas à época, Paul posteriormente sugeriu que o verso foi escrito deliberadamente de forma ambígua para referir-se tanto ao uso ilícito de drogas quanto a atividades sexuais. A música "Lucy in the Sky with Diamonds" também foi assunto de especulação, muitos acreditando que o título era uma metáfora sobre a droga alucinógena LSD. A BBC decidiu banir a faixa a partir desse argumento. O grupo de mídia baniu, ainda, "Being for the Benefit of Mr. Kite!", pela menção, em sua letra, de "Henry the Horse", uma expressão que contém duas gírias comuns para heroína. Fãs especularam que "Henry the Horse" significaria um traficante e que o título da faixa "Fixing a Hole" fosse uma referência ao uso de heroína. Também foram apontados versos como "I get high" em "With a Little Help from My Friends", "take some tea", gíria para o uso da cannabis, em "Lovely Rita" e "digging the weeds" em "When I'm Sixty-Four", por exemplo.[99]
A autora Sheila Whiteley relaciona a filosofia subjacente de Sgt. Pepper não somente à cultura das drogas, mas também à metafísica e ao movimento Flower Power. O musicólogo Oliver Julien enxerga o disco como uma materialização das "mudanças sociais, musicais e, de forma mais geral, culturais, dos anos 1960". O psicólogo e personalidade da contracultura Timothy Leary sustenta que o LP "deu voz ao sentimento de que o passado foi superado... o álbum veio na hora certa" e salientou a necessidade de uma mudança cultural com base em uma agenda pacífica. Seu valor primário, de acordo com o intelectual Alan F. Moore, é a habilidade de "capturar, mais vividamente que quase tudo na contemporaneidade, seu próprio tempo e lugar". Whiteley concorda, creditando o trabalho como "provedor de uma captura instantânea da Inglaterra durante a ocorrência do Verão do Amor". Vários acadêmicos aplicaram estratégias hermenêuticas em suas análises das letras de Sgt. Pepper, identificando "perda e inocência" e os "perigos da excessiva complacência em relação a fantasias e ilusões" como os temas mais proeminentes do disco.

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