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terça-feira, 3 de agosto de 2021

Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - VIII

Lado B

Após Martin decidir que "Only a Northern Song" não era boa o suficiente para ser incluída Sgt. Pepper, Harrison escreveu "Within You Without You", inspirada em música clássica hindu. MacDonald descreve a faixa como uma "ambiciosa composição de fusão intercultural e filosofia meditativa", embora muitos a tivessem rejeitado e classificado como entediante, outros críticos caracterizando-a como fraca em termos de "atratividade harmônica", com letra "santimonial... didática e datada". Moore defende a dependência da gravação na melodia em detrimento da harmonia como um atributo musical inteiramente apropriado para o gênero. Ele caracteriza a resposta crítica como "extremamente variada", notando que Goldstein identifica a faixa como um dos pontos altos do disco enquanto outros a veem como uma epítome adequada do material do lado A. MacDonald considera a canção como um "distante afastamento" do estilo sonoro dos Beatles e uma "notável conquista" que representa a "consciência" do LP. Womack concorda, definindo-a como "sem dúvida, a alma ética do álbum". Maximizando a "potência da expressividade" do disco, a música apresenta um tempo rubato que não apresenta precedentes na discografia dos Beatles. A altura da música é derivada da escala oriental da Khamaj, a qual é semelhante ao modo mixolídio no mundo ocidental. A música termina com um arroubo de risos que alguns ouvintes interpretavam como escárnio à canção, mas Harrison explicou: "Bem, depois de toda essa coisa indiana você deseja algum alívio. É uma libertação depois de cinco minutos de música triste... Você deveria ouvir o público, de qualquer maneira, como eles ouvem a apresentação do sargento Pepper. Esse é o conceito do álbum."Martin usou o momento de leveza como transição para o que ele descreveu como a "faixa humorística" de Sgt. Pepper, "When I'm Sixty-Four".

MacDonald cita "When I'm Sixty-Four" como um exemplo da versatilidade dos Beatles. Ele classifica a música como "destinada principalmente aos pais", tomando emprestado muito do estilo de música inglesa de salão de George Formby, enquanto evoca imaginários de "cartões postais de beira-mar" do ilustrador Donald McGill. Seu esparso arranjo inclui carrilhão de orquestra, clarinete e piano. MacDonald nota que a faixa tem "fria recepção" da maioria do público mais jovem e Everett atribui isso à propensão de McCartney pelo "vaudeville aprazível à audiência... que Lennon detestava". Paul escreveu a canção no final dos anos 1950 como um ato instrumental, com uma de suas versões apresentada ocasionalmente durante shows em Hamburgo. Ele revisitou a composição em 1966, por volta da época em que seu pai completou 64 anos.Moore caracteriza a música como uma síntese de ragtime e pop, notando que sua posição, logo após "Within You Without You", uma mistura de música clássica indiana e pop, é representativa da diversidade presente no trabalho. McCartney requisitou clarinetes and pediu que eles fossem arranjados "da forma clássica", o que, de acordo com Martin, "deixou um sentimentalismo à espreita". MacDonald nota que a inclusão da música em meio às "texturas psicodélicas repletas de camadas" características das outras faixas "proporciona um singelo interlúdio" ao LP. Moore define os arranjos de clarinete de Martin e o uso de vassourinhas por Starr como estabelecedores de uma atmosfera music hall, que é reforçada pela entrega vocal de McCartney e pelo uso de cromatismo, um padrão harmónico que remonta ao "The Ragtime Dance" de Scott Joplin e ao Danúbio Azul de Johann Strauss. Varispeeding foi usado na faixa, elevando a altura da música por um semitom na intenção de fazer Paul soar mais jovem. Everett nota que o protagonista da letra é às vezes associado à Lonely Hearts Club Band, mas, em sua opinião, a música é tematicamente desconexa às outras do disco.

Womack caracteriza "Lovely Rita" como um trabalho de "acelerada psicodelia" que contrasta nitidamente com a faixa precedente. Ele identifica a música como um exemplo do talento de McCartney para "criar retratos musicais imagísticos", mas a coloca entre as mais fracas de todo o disco, pressagiando o que ele descreve como as "composições menos eficazes" que os Beatles viriam a gravar pós-Sgt. Pepper. Na sua perspectiva, "a canção realiza pouco na jornada do álbum em direção a uma consciência humana mais expansiva". Apesar das suas observações, ele considera a faixa "irresistivelmente charmosa". Moore concorda, definindo a composição como "de se desconsiderar", embora louve o que caracteriza como seu "forte senso de direção harmônica". MacDonald descreve a música como "sátira à autoridade" que é "imbuída com um exuberante interesse na vida, que eleva espíritos, dispersando auto-absorção".

"Good Morning Good Morning" foi inspirada por um comercial de televisão do produto Corn Flakes, da Kellogg's, cujo jingle John adaptou como o refrão da música. A faixa utiliza o modo mixolídio em Lá, e, na visão de Everett, "expressa perfeitamente a queixa de Lennon contra a complacência". John, no entanto, considerava a música "um lixo", e Paul via essa postura como uma reação do parceiro às frustrações de sua vida doméstica. Womack louva a variedade de tempos da faixa, incluindo 5/4, 3/4 e 4/4, chamando-a de "obra-prima da energia elétrica". MacDonald nota a "performance de alta qualidade" de Ringo e o "cintilante solo de guitarra pseudo-indiana" de Paul, o qual ele acredita criar o clímax da faixa. A pedido de Lennon, uma série de sons de animais foram inseridos durante o fade out sequenciado, como se cada sucessivo animal fosse um maior a devorar o precedente. Martin emendou o som de uma galinha a cacarejar ao final da faixa para sobrepor com uma guitarra sendo sintonizada na próxima, criando uma transição suave entre as duas músicas.

"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)" serve como um suporte delimitador e uma transição ao ato final. A música, um característico hard rock, foi escrita após sugestão do assistente do grupo, Neil Aspinall, já que a música original, que inicia o disco, demandava uma reaparição" da banda ficcional no momento próximo ao fim do disco. A reprise omite a seção de metais da faixa-título e apresenta um andamento mais rápido. MacDonald observa nessa faixa emoção aparente dos Beatles, tangivelmente traduzida a partir das sessões de gravação.

Quando o último acorde de "Sgt. Pepper... (Reprise)" é tocado, um dedilhar não usual de colcheia de guitarra acústica é iniciado, introduzindo o que Moore descreve como "uma das músicas mais pungentes já escritas". "A Day in the Life" consiste em quatro estrofes de Lennon, uma ponte, dois crescendos orquestrais aleatórios e uma parte média escrita e cantada por McCartney. O primeiro crescendo desempenha papel de transição entre a terceira estrofe e a parte média, conduzindo à ponte conhecida como "sequência onírica", caracterizada pelas vocalizações de John. Na opinião de Martin, o "lamento", tratado com eco de fita e lento panning da direita para a esquerda e repetido uma vez antes do término repentino na escuta esquerda, contribuiu para que a crítica considerasse tal música como um "sonho de marijuana". O acompanhamento de metais indica altamente o fim da sequência e o começo da quarta e final estrofe, após a qual a música entra num último crescendo antes do desfecho com um acorde de piano a desvanecer por quase um minuto. A ideia de usar uma orquestra foi de Paul. Ele buscou inspiração a partir dos compositores avant garde John Cage and Karlheinz Stockhausen. Os crescendos são executados por quarenta músicos selecionados dos quadros da Orquestra Filarmônica Real e da Orquestra Filarmônica de Londres, incumbidos da tarefa de preencher o espaço da música com o que Womack descreve como "a sonoridade de puro apocalipse". Martin também destaca o pedido de Lennon por "um tremendo composto, a partir do nada até algo absolutamente próximo ao fim do mundo". John lembrava que a inspiração para a letra veio de um jornal: "Eu estava escrevendo a canção com o Daily Mail deitado na minha frente quando eu estava no piano... havia um parágrafo sobre 4 000 buracos de asfalto em Blackburn, Lancashire". Ele não havia gostado do som da sua própria voz e sempre pedia por generosas quantidades de eco de fita nos seus vocais no intento de "enterrá-lo" em meio a efeitos e mixagens. Para "A Day in the Life", ele queria que sua voz soasse como Elvis Presley em "Heartbreak Hotel". Martin e Emerick, então, adicionaram noventa milissegundos de eco. Womack define a performance de Starr como "uma das mais inventivas passagens de bateria do álbum", algo que McCartney o encorajou a executar a despeito de protestos do baterista contra os "rufos espalhafatosos". O violento acorde de piano que conclui a faixa e o disco foi produzido a partir de gravação de Lennon, Starr, McCartney e Evans simultaneamente a tocar um acorde em mi maior em três pianos distintos; Martin então ampliou a sonoridade com um harmônio. Riley caracteriza a música como um "poslúdio à fantasia Pepper... que coloca todas as outras músicas do álbum em perspectiva", enquanto quebra a ilusão de uma "Pepperland" ao introduzir um "universo paralelo da vida cotidiana". MacDonald descreve a faixa como "uma canção não de desilusão com a vida, mas de desencanto com os limites da percepção mundana". De acordo com ele, tal faixa "permanece entre as mais penetrantes e inovadoras reflexões artísticas de sua era", representando "a mais alta realização única" dos Beatles.

Enquanto "A Day in the Life" termina, um tom de alta frequência de 15-kilohertz é ouvido; Ele foi adicionado, por sugestão de John, no intento de que sua potência fosse capaz de perturbar cães. Seguem-se, então, sons de risadas de trás para frente e falas sem nexo adicionadas ao groove de desfecho, que volta e é tocado em loop interminavelmente em qualquer tocador não equipado com retorno automático de agulha. Lennon pode ser ouvido a falar: "been so high", seguido pela resposta de McCartney: "never could be any other way".

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